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Por que ainda não deixei meu carro na garagem ou mesmo me desfiz dele? Por que é fácil sair com ele! A natureza humana tende a optar pelo que é mais fácil, a busca pelo prazer, pela felicidade e pela recompensa fazem parte de nosso dia a dia. Imagine, se não fosse assim tão fácil? Se para dirigir tivéssemos que usar equipamentos de segurança, escolher as ruas mais calmas, evitando conflitos com veículos maiores e sofrer um acidente? E depois de tudo isso ter que procurar um ponto seguro para estacionar com conforto e a certeza que seu veículo estará lá no fim do expediente, porque não existe estacionamento adequado?

Pois é! Esta é uma realidade muito parecida com a dos bravos ciclistas da Grande Vitória e muitas outras cidades do país. Isso sem falar na discriminação por estar tomando lugar do carro.

A facilidade do uso do carro está nos deixando próximos de um engarrafamento permanente, onde a velocidade máxima não chega a 10km/h. E a solução não está em melhorar as vias para veículos particulares, nem em expandir nosso quinhão de terra, engolindo o Oceano Atlântico. Isso foi feito, quando não tínhamos consciência das consequências ambientais que essas ações teriam. Não nego que trouxe benefícios e talvez devesse ser mesmo esse o caminho a tomar, para viabilizar o funcionamento e desenvolvimento da ilha.

Hoje, temos a consciência, os exemplos e os dados, para evitar um cenário de imobilidade permanente. Sabemos que o uso de veículos particulares são prejudiciais não só ao meio ambiente, como ao nosso bem estar. Estamos sofrendo de diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade, intolerância e falta de convívio social. Temos casos de sucesso mundial em cidades como Copenhagen, Amsterdam, Bogotá, Paris, Medellín e Barcelona, que optaram por movimentar pessoas ao invés de veículos. Os dados dessas intervenções urbanas mostram que elas estão no caminho certo.

Então me pergunto, porque o governo insiste em dar descontos ou até isenção de alguns impostos para os carros particulares? Por que ainda são feitas propostas que visam aumentar o fluxo de carros, cortando praças e asfaltando parques? Quando as cidades acima citadas optaram por valorizar as pessoas e não seu transporte, elas também tinham problemas com o domínio dos carros e mudaram sua cultura. Por que ainda insistimos em dizer que aqui não é a Dinamarca?

Aqui não é a Dinamarca, nem nunca vai ser, mas tem potencial! Já estive em Copenhagen e posso dizer que a beleza de lá, não é melhor que a daqui. Vitória e Copenhagen compartilham configuração geográfica similar e tem aproximadamente a mesma área, e o mesmo relevo. São cidades portuárias e tem uma relação muito próxima com o mar. O clima de lá é mais agressivo que o nosso, mas frio e calor não são argumentos que impossibilitem uma boa solução. A diferença é que em Copenhagen foi tomada a decisão de fazer, da cidade, um lugar que proporciona encontros e relações sociais melhores, gerando maior qualidade de vida. A mobilidade urbana veio a reboque.

Temos a chance de fazer igual ou melhor, basta fazer. Fazer rápido, não às pressas, mas rápido! Sem muitas desculpas, com vontade de dar certo, usando e abusando dos melhores exemplos mundiais. Não adianta trazer soluções adotadas em São Paulo, Curitiba, ou Rio de Janeiro, se o que se tem de melhor está na Europa. Retirar áreas verdes para implantar concreto, não funciona. Temos que reduzir a superioridade do carro, e utilizar a hierarquia da pirâmide invertida, em nosso Plano Nacional de Mobilidade Urbana.

Se for difícil usar o carro, adotaremos outro modal de transporte, fato!

? Ah! Os ônibus não são confortáveis, não são pontuais, não são seguros! Dirão os defensores do carro. Basta aumentar o uso e a demanda por melhorias que elas virão! Não adianta reclamar e não usar ou usar e não reclamar!

Vamos aproveitar o mar que nos cerca e abusar do transporte aquaviário, com diferentes tipos de embarcações, de passageiros, de turismo, de carga, de lazer! Vamos propor mudanças nas leis que facilitem o uso de veículos marítimos, expandindo o turismo e a economia, com pessoas desfrutando de um passeio de barco, visitando a costa noroeste da ilha ou suas praias.

As ciclovias são outra solução rápida e de baixo custo! Não é preciso fazer grandes fundações, pisos de concreto, e pintura em toda sua extensão. Basta uma boa camada de asfalto, ligeiramente mais alta que a pista de rolamento e ligeiramente mais baixa que o passeio, que teremos ciclovias de padrão e qualidade internacional. Só em manutenção já seria uma economia fabulosa! Uma bicicleta leva mais de 300 anos, para desgastar o asfalto, o mesmo que um carro em um ano! Isso sem falar que uma pessoa de bicicleta compra 40% a mais que se estivesse de carro! Olha aí mais um benefício para economia! O mesmo ciclista vai precisar de menos assistência médica, vai ter mais disposição para atividades físicas, e ter uma vida produtiva mais longa! Opa! Outra razão para levar a mobilidade ativa a sério!

Se eu pudesse sair do meu prédio, pegar minha bicicleta, pedalar seguramente por uma ciclovia unidirecional, onde encontraria outras pessoas e pudesse compartilhar um sorriso, um olhar, uma conversa! Me deslocar com segurança, com conforto, com simplicidade, sem necessidade de equipamentos de segurança, simplesmente vestido para meu destino! Poder parar em um paraciclo ou bicicletário seguro, confortável e próximo aos estabelecimentos! Sem burocracia! Com certeza seria mais fácil!

Se for fácil, eu faço! 

Hoje, temos a consciência, os exemplos e os dados, para evitar um cenário de imobilidade permanente. Sabemos que o uso de veículos particulares são prejudiciais não só ao meio ambiente, como ao nosso bem estar. Estamos sofrendo de diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade, intolerância e falta de convívio social.
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Rodrigo Mendes de Mattos

Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Professor Universitário em projetos de Arq. e Urb. e Consultor em Mobilidade Urbana.

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